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Game Review – Valiant Hearts: The Great War

Se você utiliza o termo gamer para se definir enquanto consumidor de jogos eletrônicos, provavelmente você também deve ter uma lista (quase) interminável de jogos, o famoso backlog. Eu não fujo a essa regra. E foi pensando em diminuir este backlog ao máximo (e aliado ao fato de que vendi meu PS4 novamente e só irei jogar no PC por um bom tempo) que resolvi que quero tentar terminar um jogo indie por semana. Muito embora a própria definição de jogo indie possa não ser clara na maioria das vezes, geralmente ao usar esta denominação estamos nos referindo a jogos independentes, criados por um único criador ou por uma equipe pequena, de baixo orçamento, jogabilidade inovadora, com gráficos modestos, mas um forte apelo estético, muitas vezes se inspirando em clássicos das gerações de 8 e 16 bits.

Apesar da definição acima dar uma boa ideia do que um jogo indie eu farei minha primeira postagem já quebrando com essa ideia (só pra ser do contra mesmo). O jogo do qual quero falar Valiant Hearts: The Great War, que apesar de toda a cara de jogo indie, é publicado pela Ubisoft e desenvolvido por uma de suas subsidiárias, a Ubisfot Montpellier. O jogo faz parte de uma iniciativa da publisher em mirar no nicho dos jogos independentes, que vem em ampla expansão à quase uma década.

Apesar de não poder ser considerado puramente independente, temos que admitir que é um jogo que se distancia bastante dos outros jogos mais comerciais da Ubisoft, contendo um grande senso artístico atrelado à obra. Valiant Hearts é definido como um puzzle adventure, mas mais do que isso, é essencialmente um jogo de guerra. Mas esqueçam de todo o glamour dos campos de batalha que jogos como Call of Duty e Battlefield naturalizaram durante todos estes anos. Aqui vemos um lado pouco explorado em jogos deste tema: o drama que é viver em meio à guerra, as dificuldades que passam os soldados e demais envolvidos, direta ou indiretamente, no conflito.

1458536_177584525768163_603373934_nQuando você pensa em Ubsifot, qual a primeira coisa que lhes vem a mente? Muitos de vocês provavelmente dirão torres de sincronização. Os mais maldosos podem gritar jogos incompletos, cheio de bugs no lançamento. Mas para mim, a primeira coisa que penso é: acuidade histórico-geográfica. Seja na franquia Assassin’s Creed, com suas narrativas cheias de grandes personalidades da Histria, seja em seus demais jogos de mundo aberto como Watch Dogs, The Division e Ghost Recon: Wildlands, a Ubisoft sempre demonstrou muito esmero ao misturar a História e Geografia de nosso mundo às suas obras digitais. E em Valiant Hearts não é diferente. O enredo conta a história de 4 personagens que, de alguma forma, estão conectados pela guerra. Outro diferencial é que a guerra em questão é uma que não é tão abordada na indústria dos games. Ao invés da já manjada Segunda Guerra Mundial, o jogo se passa no período da Primeira Guerra Mundial, ou como também é conhecida, A Grande Guerra (que dá nome ao subtítulo do jogo).

Durante o jogo vamos conhecendo melhor no somente a história dos 4 protagonistas, como também de todo o período histórico em que o enredo se desenvolve, contado através de objetos comumente encontrados nos campos de batalha, documentos e até mesmo cartas enviadas pelos soldados dos frontes dos dois lados do conflito. Apesar de poder parecer, à primeira vista, que a introduçãoo destes elementos durante o jogo torne a experiência maçante, é justamente o contrário que ocorre. Estes itens tornam a imersão no enredo ainda mais forte, e serve como um incentivo a mais para aceitar embarcar por esta viagem no tempo. Claro que o principal motivo para você querer continuar jogando é a história que está sendo contada ali, o drama que vivemos juntamente com os 4 personagens principais, a maneira que eles se conectam e a narrativa se desenvolve, que já adianto, é bastante orgânica e envolvente. Dividimos suas tristezas, vibramos com suas alegrias ao ponto de ser impossível não sorrir quando, em meio ao mais completo caos da guerra, no front de batalha, um dos personagens recebe uma carta de casa, com uma foto de sua família.

10410266_269779899881958_2192860085047915744_nAinda sobre o enredo, a história começa com uma família de fazendeiros que é obrigada a se separar devido ao início do conflito. O marido, Karl, um alemão vivendo na França, é chamado para participar da guerra pelo lado germânico, e logo após seu sogro, Emile, é convocado pelo exército francês, deixando para trás sua filha e o neto recém nascido. No caminho ainda nos deparamos com Freddie, um afroamericano que vivia na França quando a Guerra se inicia e se alista no exército francês buscando vingança, e Anna, a filha de um cientista belga sequestrado pelo exército alemão. O mais interessante é como o jogo representa os lados do conflito, não apelando para o maniqueísmo, fugindo do fácil estereótipo de bandido e mocinho. A guerra é mostrada de maneira bem verossímil, com seus poucos momentos de glória e grandes momentos de dor e sofrimento. O gráfico, que conta com um estilo artístico bem cartunesco, tenta amenizar um pouco a seriedade da trama, o que dá um bom contraste com a violência que está sendo mostrada na tela.O gameplay , como dito anteriormente, baseado principalmente na resolução de puzzles, mas com bastantes adições ao já consagrado gênero de adventure. Há uma pequena diversidade de gameplay, como alguns momentos em stealth (nada muito sofisticado) ou nas divertidas corridas rítmicas de táxi em uma França ocupada por tropas, ao som de música clássica (difícil de explicar, essa uma é experiência que precisa ser vivenciada). Se você estiver esperando muitas cenas de ação desenfreada, pode se decepcionar um pouco, mas se comprar a ideia de adentrar em um período histórico riquíssimo, com uma narrativa cativante e emocionante, e personagens extremamente carismáticos, estará bem servido.

10258040_243908329135782_4048476101128559422_nNão seria exagero de minha parte se eu disser que Valiant Hearts poderia muito bem estar sendo utilizado em sala de aula como complemento às aulas de História sobre a Primeira Guerra. O trabalho da Ubisoft de pesquisa sobre este período e a sua transposição para o jogo foi excelente, para dizer o mínimo. O fato dos puzzles não serem muito difíceis ajuda a manter o gameplay sempre fluindo e nos mantém focado ao ponto mais interessante do jogo, sua narrativa. Se você é fã de História, se interessa pelos grandes conflitos da humanidade, tem saudades dos clássicos jogos de adventures do passado, ou simplesmente aprecia uma ótima narrativa, eu definitivamente te indico este jogo. E se você já jogou este jogo, chegou ao final de sua jornada e viu os créditos passarem com lágrimas nos olhos… acredite, você não está sozinho nesta.

FICHA TÉCNICA

Desenvolvedora: Ubisoft Montpellier
Distribuidora: Ubisoft
Gênero: Adventure/Puzzle
Plataformas: Android/IOS/Windows/PS3/PS4/X360/XOne
Data de lançamento: 24/06/2014

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